Resenha: Divergente





Livro: Divergente
Autora: Veronica Roth
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 500
Edição: 1ª 


Sinopse: Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive


O que seria do mundo se uma guerra dizimasse praticamente toda sua população? Uma catástrofe, e é claro que os humanos restantes, de alguma forma, iriam reconstruir o planeta com base nas virtudes que semeiem a paz.  Basicamente, essa é a premissa de “Divergente”, romance distópico da autora estreante Veronica Roth. Um livro como esse consegue prender o leitor desde o começo da leitura e ainda tem o poder de criar questionamentos acerca do futuro mundial. Afinal, é essa a função de uma distopia.

Em um futuro próximo, as pessoas tiveram sorte em estar na cidade, afinal a guerra que destruiu o mundo foi terrível. Os fundadores da cidade construíram um muro para a proteção e a dividiu em cinco grupos [ou facções] para manter a paz: Abnegação para os Altruístas; Erudição para os Inteligentes; Audácia para os Corajosos, Amizade para os Bondosos, Franqueza para os Honestos. 

Todos os anos, jovens de 16 anos de idade são submetidos a um Teste de Aptidão, que irá descrever a melhor facção que possuem mais afinidade e que os representam, de acordo com suas personalidades. Depois de receberem seus resultados, os jovens terão de decidir se irão permanecer na facção de origem ou irão se transferir-se para uma nova facção. E é nesse contexto que a protagonista da série, Beatrice Prior, tem de decidir seu futuro. Ela faz parte da Abnegação, facção governante,  e, aos 16 anos de idade, se vê divida em ficar em sua facção de origem, pensando na família, ou pensar em si mesma e mudar de facção.

“Quanto tento enxergar o estilo de vida da Abnegação, considero-o lindo.[..] Mas, quando tento viver isso por conta própria, tenho dificuldade. Mas escolher uma facção diferente significa renunciar à minha família. Permanentemente.” - Pág. 30

O livro retrata uma cidade que se vê obrigada a pregar a paz para evitar uma possível guerra, como a que praticamente dizimou toda população. A autora soube usar de argumentos consistentes que transmitissem uma ideia de calamidade e de superação na qual as facções ainda estão passando e as descrições sobre cada grupo são extremamente fiéis a manifestos governamentais. Além disso, na obra, entramos nos conceitos propostos por cada facção, bem como as atitudes e atos de seus integrantes. Como o livro é futurístico, somos submersos a um oceano de criatividade, com belíssimas narrações e explicações tecnológicas que afetam diretamente na história. Por exemplo, no Teste de Aptidão e no Ritual de Iniciação, representantes entram na mente dos iniciandos através de transmissores em um soro aplicado sobre cada um. Nesse ponto, a autora, para mim, conseguiu perfeitamente descrever as situações como se fossem reais.

“Aperto o braço da cadeira com tanta força que as juntas das minhas mãos ficam brancas. Ela puxa alguns fios em sua direção e liga-os a mim, a ela e à máquina atrás dela. Depois me entrega um frasco com um líquido transparente.” – pág. 19

No Teste de Aptidão de Beatrice, seu resultado surpreendentemente é inconclusivo. Ela possui afinidade para três facções [enquanto que o comum é apontar apenas uma facção] e, como numa situação raríssima, ela é Divergente. Para o governo de facções, principalmente para Erudição e Audácia, ser Divergente é uma condição extremamente ameaçadora e, de acordo com seus conceitos,  perigosa para o regimento de paz. Aconselhada a não contar para ninguém, Beatrice, no dia da Escolha, opta pela Audácia.

Viver na Audácia não é uma situação fácil. A facção intimidadora impõe novas regras aos iniciandos e Beatrice, agora Tris, teme ser desclassificada e se tornar uma sem-facção [aqueles que não se encaixam em nenhum grupo]. Com a ajuda de Quatro, um treinador com privilégios na Audácia, Tris consegue passar no estágio de iniciação. Porém uma revolução está por vir, e a ganância da Erudição pelo poder faz com que uma rebelião programada acabem com os representas e integrantes da Abnegação. Agora, cabe a Tris e Quatro descobrirem o que está por trás da Erudição e os acontecimentos que a levou a cometer tal ato.

“A Abnegação e a Audácia estão fragmentadas e seus membros se dispersaram. Somos como os sem-facção agora. Não tenho lar, nem caminho, nem certezas. Não sou mais Tris, a altruísta, ou Tris, a corajosa.” – pág. 500

No livro aprofundamos na Abnegação e Audácia. As outras facções, principalmente Erudição, são mencionadas recorrentemente, porém não com tanta ênfase. Como dito, as descrições e a narração envolvente são os primores do livro. Tris, a personagem narradora, consegue nos transmitir as mesmas emoções sentidas e os diálogos são sempre bem realizados e de fácil entendimento. A obra distópica foi um grande sucesso mundial, e parte dele é atribuído ao desenrolar da história e as várias possibilidades que a protagonista precisa enfrentar.  As escolhas como apresentadas na capa, podem decidir quem são seus amigos, definir suas crenças e determinar a lealdade para sempre.  O livro, em minha opinião, é uma aventura surreal emocionante e vale cada palavra de leitura. Recomendadíssimo.

Resenha: Desejo à Meia-Noite


Livro: Desejo à Meia-Noite
Autora: Lisa Kleypas
Páginas: 272
Editora: Arqueiro

Sinopse: Após sofrer uma decepção amorosa, Amelia Hathaway perdeu as esperanças de se casar. Desde a morte dos pais, ela se dedica exclusivamente a cuidar dos quatro irmãos – uma tarefa nada fácil, sobretudo porque Leo, o mais velho, anda desperdiçando dinheiro com mulheres, jogos e bebida. Certa noite, quando sai em busca de Leo pelos redutos boêmios de Londres, Amelia conhece Cam Rohan. Meio cigano, meio irlandês, Rohan é um homem difícil de se definir e, embora tenha ficado muito rico, nunca se acostumou com a vida na sociedade londrina. Apesar de não conseguirem esconder a imediata atração que sentem, Rohan e Amelia ficam aliviados com a perspectiva de nunca mais se encontrarem. Mas parece que o destino já traçou outros planos. Quando se muda com a família para a propriedade recém-herdada em Hampshire, Amelia acredita que esse pode ser o início de uma vida melhor para os Hathaways. Mas não faz ideia de quantas dificuldades estão a sua espera. E a maior delas é o reencontro com o sedutor Rohan, que parece determinado a ajudá-la a resolver seus problemas. Agora a independente Amelia se verá dividida entre o orgulho e seus sentimentos. Será que Rohan, um cigano que preza sua liberdade acima de tudo, estará disposto a abrir mão de suas raízes e se curvar à maior instituição de todos os tempos: o casamento?


Oi, pessoal. Como vocês estão?

Não é segredo para ninguém que romances de época estão entre os meus favoritos, então fiquei empolgada quando descobri a série Os Hathaways e, afirmo convicta: quem gosta desse gênero, não pode ignorar a escrita dessa autora. Mas vamos com calma, que quero transmitir direito tudo o que a leitura me passou.

Os Hathaways, família composta por cinco irmãos, já que os pais faleceram, são completamente atípicos na alta sociedade. Eram plebeus, mas ascenderam à nobreza quando o irmão mais velho, Leo, herdou o título de Visconde após o infortúnio de todos os predecessores na linha de sucessão terem falecido. O problema foi que o título que o irmão recebeu não bastou para elevar a qualidade de vida da família, já que herdaram apenas uma casa no campo que se encontra em ruínas. Continuaram pobres, com baixa renda anual e tendo que viver eternamente com o “cinto apertado” para alimentar as seis bocas. Sim, além dos cinco irmãos (Leo, Amelia, Win, Poppis e Beatrix, nessa ordem de nascimento), ainda há o cigano Maripen, que foi criado pela família desde o dia em que foi salvo pelo patriarca.

Nesse primeiro livro a protagonista é a irmã mais velha, Amelia, uma mulher determinada e considerada solteirona para os padrões da sociedade, já que desde que os pais faleceram e o irmão se entregou a uma vida desregrada por conta da morte inesperada da sua noiva Laura, coube a ela cuidar das irmãs mais novas e administrar as finanças da família. Como se não bastasse todas as preocupações, ainda tem que dedicar um cuidado especial a Win, que tem a saúde frágil por conta de uma doença da qual ainda não se recuperou totalmente.

Num dos sumiços de Leo e temendo que ele estivesse morto em uma ralé qualquer, ela se vê obrigada a sair de casa para procurá-lo e, no meio da sua busca, conhece Cam, um meio cigano charmoso e sedutor que trabalha como gerente numa das casas de jogatina de Londres. Inteligente, fez uma fortuna imensa por conta de uma “praga de boa sorte”, como ele mesmo define, e se lamenta por isso, já que vai contra aos princípios do seu povo, o de não acumular riquezas. Por ser considerado cigano, os membros da alta sociedade torcem o nariz para ele, já que mesmo sendo rico e bem sucedido, não pode ser aceito pelo simples fato de que o seu povo é considerado traiçoeiro e ladrão.

“Abaixando a cabeça, passou as mãos no cabelo rebelde. O peito doía como sempre que ansiava pela liberdade. Mas, pela primeira vez, ele se perguntou se tinha certeza do que queria. Porque não parecia que a dor seria curada pela partida. Na verdade, ela ameaçava se tornar bem maior.”
A atração entre os dois é imediata, mas como Amelia sofreu uma desilusão amorosa no passado e teme voltar a abrir o coração para um novo relacionamento, o envolvimento entre os dois vai acontecendo aos poucos. O que mais me agradou na forma em que a autora abordou os sentimentos dele foi o fato de que mesmo que ele tenha se encantado no instante em que a viu, nada foi apressado. Tudo aconteceu no seu devido tempo e Cam teve a chance de demonstrar o quando se importava com Amelia e com o bem estar dela.

“Na matemática, era possível pegar um número finito e dividi-lo de forma infinita, com o resultado de que, embora o total permanecesse o mesmo, a magnitude de seus limites prosseguia para sempre. O infinito. Era a primeira vez que Cam vislumbrava esse conceito em uma mulher.”
Outro ponto que deixou a leitura ainda mais interessante para mim foi a abordagem da cultura cigana. Não é o principal ponto da narrativa, mas o modo de vida deles e a influência que exerce sobre o seu povo é notável, ainda mais nos questionamentos que Cam traz consigo. Muito embora ele viva entre a sociedade, uma parte sua jamais se desprendeu das suas raízes, o que é agradável de se ver. A autora também não focou apenas nos dois, de forma que dá para ter uma noção de como é a relação da família Hathaway e quais as personalidades dos demais irmãos, que serão exploradas no decorrer dos outros livros da série, já que cada livro será sobre um irmão.

Há um ponto na história de Cam que ainda não foi resolvido, mas deu para entender que ele se liga diretamente – ou não – a um outro membro da família. Li o primeiro capítulo do próximo livro e percebi que aos invés os protagonistas do primeiro fazerem apenas participação especial, como é bem comum em outras séries do gênero, eles serão presença marcante, o que me leva a crer que tudo será explicado daqui pra frente.

Esse foi o meu primeiro contato com a escrita da Lisa e só posso dizer que me deixou ainda mais empolgada para ler os próximos. Narrado em terceira pessoa, Desejo À Meia-Noite tem uma narrativa rápida e envolvente, que deixa o leitor vidrado até a última página. A diagramação, capa e revisão da Arqueiro estão excelentes, como sempre. Embora seja considerado romance de época, a linguagem não é rebuscada, então recomendo para quem quer começar a ler esse gênero, porque não vai se assustar.

Espero que tenham gostado e até a próxima!

Beijos.

Resenha: Como eu era antes de você




Título: Como Eu era antes de Você
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 318 
Sinopse: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.


Que história incrível!

Quando terminei este livro, vi o quanto era uma leitura emocionante. Ele é poderoso, de partir o coração, e estranhamente reconfortante. Absolutamente inesquecível. Honestamente acho que é impossível chegar longe neste livro sem uma enorme sensação de gratidão por todas as bênçãos em sua vida.

O livro gira em torno de Louisa, uma mulher desesperada por um emprego que aceita uma posição como cuidadora particular de um jovem homem com deficiência, um tetraplégico, de uma família rica. Este homem, Will Traynor, já fora um homem de negócios ativo de alta potência que perseguiu uma vida emocionante de ação e aventura. Mas tudo isso chegou a uma súbita parada, no fatídico dia em que ele foi vítima de um acidente que deixou a maior parte de seu corpo paralisado. Agora, confrontado com a realidade médica de que nunca iria se recuperar, toda a sua visão sobre a vida mudou, levando-o a fazer uma decisão pessoal chocante. E foi aí que Lou entrou em cena.

"Seu corpo era apenas uma parte do pacote completo, algo para se lidar de vez em quando, em intervalos, antes de voltarmos a conversar. Para mim, tinha se tornado a parte menos interessante dele. Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível."
Foi realmente trágico ver um homem que tinha tanta energia mental ser tão forte e permanentemente confinado. Will estava preso dentro de seu próprio corpo e, como leitor, eu poderia realmente sentir suas frustrações e desesperanças. Pela primeira vez desde o acidente, porém, Lou trouxe momentos de alegria em sua vida. O encontro dos dois não foi nada convencional e nem um pouco amistoso por parte de Will. Ele estava irritadiço, mal-humorado, e não tinha nenhum desejo de estabelecer qualquer tipo de amizade com ela. Mas com o passar dos dias, as coisas começaram a mudar lentamente entre eles.

Esta história foi tranquilamente cativante. Eu poderia quase caracterizá-la como tendo um ritmo lento e ainda assim eu não poderia colocá-la para baixo. Sempre me pegava pensando sobre todos os aspectos da história e constantemente imaginava as limitações de Will mesmo quando eu não estava lendo

Essencialmente, antes do início do livro, Will fez uma decisão clara de espírito: ele não desejava continuar sua vida nessa condição. Não foi uma decisão abrupta feita com base na depressão ou na raiva, mas sim um baseado em fatos médicos e escolhas pessoais. Louisa descobriu sobre sua escolha relativamente cedo e quando ela fez, ficou horrorizada e decidiu fazer tudo em seu poder para convencê-lo a mudar de ideia. Acho que foi uma reação muito natural querer agarrar-se à esperança de um futuro melhor e a crença de que deve haver uma maneira. Não quero dar diretamente um spoiler do término do livro, mas ao mesmo tempo quero avisá-los que este não é um conto de fadas e sim, uma história dolorosamente real e honesta. Não há tragédia repentina ou torção no final. É mais como uma escolha pessoal feita tomando um olhar realista sobre a vida. É "dolorosamente doloroso" admitir, mas eu sinto que, dadas as circunstâncias da situação de Will e o que ele queria fora de sua vida, era o direito dele escolher seu fim.

Não vou mentir, antes de ler este livro, eu lutava com a moralidade da base de minha reação natural, afinal, presumi que teria uma reviravolta meio "clichê" para o fim desse livro. Mas, olhando para trás, notei que era injusto, porque eu realmente não sabia da complexidade ou dos detalhes desta situação exata. Eu acho que nós naturalmente queremos consertar as coisas, e é mais fácil de segurar a esperança imaginária quando você não é a pessoa que está presa. É um ato incrivelmente altruísta amar alguém o suficiente para colocar sua felicidade em primeiro lugar, mesmo à custa da sua própria.

"Reparei que ele parecia determinado a não lembrar em nada com o homem que tinha sido; (...). Seus olhos cinzentos tinham marcas de cansaço, ou de desconforto que ele sentia o tempo todo (...). Eles levavam o olhar vazio de alguém que está sempre alguns passos afastado do mundo a seu redor. Às vezes, eu me perguntava se aquilo não era um mecanismo de defesa de Will, já que a única maneira que encontrou de lidar com sua vida foi fingir que não era com ele que aquelas coisas estavam acontecendo."
Há tantas lições valiosas incorporados nesta história - para encontrar um propósito na vida, seguir suas paixões, e nunca desperdiçar um único momento - que sinto que essa história dá um lembrete importante para valorizar cada minuto e cada uma das coisas que podemos tão facilmente deixar de lado. Jojo Moyes levanta questões morais provocantes durante o desenvolvimento de um relacionamento verdadeiramente único entre duas pessoas reunidas por acaso. Isto pode não ser um romance para os fracos de coração, mas é uma história de grande coração, muito bem escrita que nos ensina que nunca é tarde demais para realmente começar a viver.

O livro está mais que recomendado.


As Riquezas de Jane Austen


Ela pode ter sido de outro século, mas ainda há muitas lições que podemos aprender com Jane Austen. Eu, particularmente, não li seus romances, apenas assisti (bem recentemente) a belíssima adaptação de 2005 de "Orgulho e Preconceito", o que já foi o ponto de partida para eu me aprofundar na história de Jane e seus livros. Com esse pensamento em mente, queria escrever um post sobre as lições (gosto mesmo de passar lições) que podemos aprender com Jane Austen e seus livros hoje. Abaixo, mostro para vocês o que se esperar de lições sobre os livros de Jane, e, se você ainda não leu, (assim como eu), espero que leia, pois estou ansioso para ler as obras da saudosa autora.

Não acredite em tudo que você ouve
Elizabeth Bennet (Orgulho e Preconceito) cometeu um grande erro quando preferiu acreditar em George Wickham sobre Darcy, ao custo da reputação de sua irmã e quase a sua própria felicidadeQuando alguém diz algo sobre outra pessoa, tenha sempre uma pulga atrás da orelha. Descubra por si mesmo antes de decidir que é verdade.

Verdadeiros amigos são honestos com você
Você quer que seus amigos tenham medo de dizer como você está agindo, ou você quer amigos que sejam honestos com você? Em Emma, ​​foi o Sr. Knightley que provou ser um verdadeiro amigo para Emma, ​​dizendo-lhe que ela estava errada. Parte de apoiar em seus amigos está ajudando a orientá-los na direção certa - se você tem alguém que faz isso para você, então você deve segurá-lo.

Não confie em primeiras impressões
George Wickham, o Sr. Willoughby (Razão e Sensibilidade) - os homens que apareceram arrojados e honrados no início do livro, muitas das vezes acabam com a pior das intenções, no final do mesmo. E quem sabia que o frio e arrogante Sr. Darcy, que se recusou a dançar no início do livro iria acabar como o seu heróiLivros de Austen nos ensinam que não devemos julgar as pessoas em nossas primeiras impressões - temos de ter tempo para conhecê-los.

Não julgue alguém por sua posição social
Jane viveu e escreveu em um mundo onde sua posição social, muitas vezes determina  todo o curso de sua vida. Ela usou sua escrita para zombar os rigorosos rituais sociais que ditaram a sua vida, fazendo do esnobismo social um tema que percorre seus romances. As coisas não estão muito diferentes agora, muitos ainda tendem a julgar as pessoas sobre o quanto dinheiro elas têm, a maneira de falar, de onde elas são... Os romances de Austen sublinham quão ridículo isto é - a sua riqueza não define quem você é, por isso não define os outros.

Não se Contentar
Orgulho e Preconceito nos deu uma percepção da vida sofrida de mulheres da época. Elizabeth Bennet, vivendo em uma sociedade onde o casamento era realmente a única opção para uma mulher, recusou o horripilante Collins, mesmo sabendo que isso poderia significar que ela ficaria sozinha. Obviamente, ela não o fez -, mas sabemos que é melhor estar sozinho do que com alguém que você não ama .
As obras de Jane Austen podem parecer ultrapassadas para alguns agora, mas como você pode ver,  ainda podemos aprender muito com elas - e é por isso que seus romances ressoam até hoje.

As lições acima foram baseadas na minha percepção do filme, e de algumas pesquisas sobre as obras de Jane Austen. Podem estar erradas. Ou podem estar certas. Mas diga, se você já leu, ou pelo menos assistiu a algum filme, qual é o seu clássico romance favorito?
Fonte da Imagem/Capa

Resenha: Cidades de Papel




Livro: Cidades de Papel
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Título Original: Papers Town
Páginas: 368


Sinopse: Em Cidades de papel, Quentin Jacobsen nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman desde a infância. Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola e ele é só mais um dos nerds de sua turma. Certa noite, Margo invade a vida de Quentin pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola, esperançoso de que tudo mude depois daquela madrugada e ela decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia, nem no outro, nem no seguinte. Quando descobre que o paradeiro dela é agora um mistério, Quentin logo encontra pistas deixadas por ela e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava que conhecia."

"Cidades de Papel" gira em torno de um grupo de adolescentes do ensino médio, incluindo o personagem principal, Quentin Jacobsen, e a excêntrica Margo Roth Spiegelman, que interpreta o interesse amoroso de Quentin. Ao longo do romance, os personagens lutam com temas que são centrais para a vida cotidiana dos adolescentes, tais como a construção de relacionamentos e a descoberta da própria identidade, marcos centrais dos livros de John Green.

O enredo do romance começa a engrossar quando Margo, poucos dias antes de sua formatura do ensino médio, aparece na janela de Quentin à noite, pedindo sua ajuda na realização de sua vingança pessoal contra seus antigos amigos, com esquemas elaborados envolvendo peixes mortos, compras do Walmart e graffiti. Naquela noite, ao visitarem um grande edifício, em Orlando, Margo diz à Quentin que a cidade é superficialmente uma "Cidade de Papel", dando a entender que percepção de Orlando dá algumas dicas sobre a complexidade da sua personagem, e sugere que debaixo de sua imagem impecável na escola, algo não está certo em sua vida. Após passar a noite junto com Margo, Quentin passa a sentir uma ponta de esperança em relação á aproximação dos dois, mas quando ele acorda na manhã seguinte, fica surpreso ao descobrir que Margo havia desaparecido sem dizer a ninguém onde foi.

"Uma cidade de papel para uma menina de papel. (…) Eu olhava para baixo e pensava que eu era feita de papel. Eu é que era uma pessoa frágil e dobrável, e não os outros. E o lance é o seguinte: as pessoas adoram a ideia de uma menina de papel. Sempre adoraram. E o pior é que eu também adorava. Eu tinha cultivado aquilo, entende? Porque é o máximo ser uma ideia que agrada a todos. Mas eu nunca poderia ser aquela ideia para mim, não totalmente.guarda roupa planejado."
A partir disso, Quentin começa a procurar pistas que o leve a Margo, sua paixão platônica, e é com uma agradável surpresa que o garoto descobre que Margo deixou vestígios que podem ajudá-lo a encontrá-la [viva ou morta]. No entanto, quanto mais ele continua a descobrir pistas de Margo,  mais ele percebe que mal a conhecia, e que sua personalidade é mais escura do que pensava.

"Ir embora é uma sensação boa e pura, apenas quando você abandona uma coisa importante, algo que tem significado. Arrancando a vida pela raiz. Mas só se pode fazer isso quando sua vida já criou raízes.''
As pistas, eventualmente, levam Quentin para Agloe, uma "Cidade de Papel", ou um lugar imaginário que cartógrafos colocam em seus mapas para garantir que eles não serão plagiados. Quentin e seus amigos, Radar e Ben, formam uma amizade inesperada com a melhor amiga de Margo, Lacey, e o grupo embarca em uma aventura selvagem para encontrá-la.

"Cidades de Papel" é mais um livro de ideias do que um livro de personagens e eu acredito que, no centro de tudo encontra-se Quentin "Q" e Margo Roth Spiegelman. As páginas são dedicadas ao desvendar do mistério do desaparecimento da garota, e realmente é como se todo mundo tivesse uma ideia diferente de quem ela é. E como todo mundo, eu também tenho minha própria interpretação de Margo Roth Spiegelman. Mas Margo não é a personagem principal deste livro, ela é alguém envolvida em sua própria busca com seus próprios problemas. Em um livro abastecido cheio de anedotas e observações maravilhosas sobre a vida, o mais apto é, talvez, é caracterizá-lo como sendo fantástico.

No geral, o livro faz um trabalho sensacional em descrever as experiências de adolescentes e como eles se desenvolvem. A complexidade da relação entre Margo e Quentin dá uma sensação de autenticidade à trama, uma vez que a mesma é falha e obstruída por questões como a incompreensão do caráter e interesses de cada um. Além disso, a profundidade do caráter de Margo contribui para a história.

"Quanto mais eu trabalho, mais percebo que os seres humanos carecem de bons espelhos. É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos."
Apesar do romance não ter exatamente um final "perfeito", Quentin descobre muito sobre seu personagem, bem como sobre Margo, e também fortalece os laços entre ele e seus amigos ao longo do caminho. O romance é emocionante, divertido e perfeito de se ler.

Fãs de Green e de "A Culpa é das Estrelas" não vão querer perder a oportunidade de ver o filme baseado no romance. O personagem de Quentin é interpretado por Nat Wolff, [o mesmo que interpretou Isaac, na adaptação de "A Culpa é das Estrelas"], e Cara Delevingne retratou Margo.

“E então você me surpreende. Para mim, você tinha sido apenas um garoto de papel por todos aqueles anos: um personagem de duas dimensões no papel e uma pessoa de duas dimensões na vida real, mas ainda assim sem profundidade. Só que, naquela noite, você se provou uma pessoa de verdade. E acabou sendo tudo tão estranho, divertido e mágico que, assim que voltei para meu quarto, senti saudade de você.”

Resenha: Bela Distração


Título: Bela Distração
Título Original: Beautiful Oblivion
Autora: Jamie McGuire
Editora: Verus
Páginas: 303 

Sinopse: Cami Camlin é uma garota intensa e independente, dona do próprio nariz desde a época do ensino médio. Agora, cursando a faculdade e trabalhando como bartender no The Red Door, Cami não tem tempo para nada, até que uma viagem para visitar seu namorado é cancelada e, pela primeira vez em quase um ano, ela tem um fim de semana de folga. Trenton Maddox era o rei da Universidade Eastern. Os caras queriam ser como ele, as mulheres queriam domá-lo. Mas, depois de um trágico acidente virar sua vida de cabeça para baixo, ele deixa o campus para lidar com a culpa esmagadora. Um ano e meio depois, Trenton está morando com o pai e trabalhando em um estúdio de tatuagem para ajudar a pagar as contas. Justamente quando ele pensa que sua vida está voltando ao normal, nota Cami sozinha em uma mesa no Red Door. Como a irmã mais velha de três caras de pavio curto, Cami acredita que não terá problemas para manter a amizade com Trenton no nível estritamente platônico. Mas, quando um Maddox se apaixona, é para sempre - mesmo que Cami possa ser a razão para que a já fragilizada família Maddox desmorone de vez. Em Bela Distração, o leitor vai mergulhar novamente nas emoções do universo de Belo Desastre, além de vislumbrar mais alguns momentos do casal mais amado da literatura new adult, Travis e Abby.

Oi, galera!

Vim falar para vocês sobre a minha última leitura: Bela Distração, da Jamie McGuire. Nunca foi segredo que me apaixonei pelo Travis Maddox quando li Belo Desastre, então saber que seriam lançados livros sobre os irmãos Maddox me deixou muito empolgada. E ainda bem que a autora não me decepcionou!

Nesse livro o irmão da vez é o Trenton, que é tão apaixonante quanto o nosso Travis Cachorro-Louco. Se em Belo Desastre alguns leitores tiveram dúvidas quanto ao gênio e personalidade do protagonista, não há margem para isso em Bela Distração. Não tem como não se encantar pelas ações e gestos de Trenton, que é fofo no mais alto grau. Em nenhum momento ele faz questão de esconder os seus sentimentos para a mocinha, Cami, que é claro que não percebe tudo isso logo de cara e já está namorando com outro rapaz.

Mas o protagonista da vez é persistente, insistente e calmo. Ele se contenta em manter a amizade enquanto dá a ela tempo para se acostumar com o que está crescendo entre os dois. Já Cami é independente e segura do que quer, mas é tão acostumada a ter que lidar com tudo sozinha que isso faz com que ela demore para se acostumar com a presença dele por perto. Sem contar com a fama que os irmãos Maddox carregam. Trenton quer apenas a sua amizade ou já algo mais surgindo por trás de suas intenções? Ele é mesmo o homem que demonstra ser ou ela é apenas mais uma na sua extensa lista de conquistas?

“Os irmãos Maddox podiam farejar confusão. Pelo menos era isso que parecia, porque sempre que havia uma briga, eles a tinham começado ou terminado. Geralmente, as duas coisas.”
O namorado de Cami é T.J. e pouco sabemos sobre esse personagem. Mora noutra cidade por conta de um trabalho super secreto que não pode nem ser contado para a namorada e não tem tempo de ir vê-la, o que, somado ao fato de Trenton ter se tornado parte fundamental da vida dela, acaba resultando em sentimentos conflituosos e indecisos. Mas pouco a pouco as coisas vão acontecendo, tudo ao seu tempo e sem ser apressado. É bacana ver a interação dos dois, a rotina que eles criam para si próprios como se um tivesse a companhia do outro desde sempre.

“Eu quero você. Não estou com você só porque não consegui a minha primeira opção. Se você acha que ama duas pessoas, você escolhe a segunda, certo? Porque, se eu amasse mesmo o T.J., não teria me apaixonado por você.”
Uma das coisas que mais me agradou no livro foi ver que Abby e Travis não são deixados de lado. Ao invés de serem esquecidos por já terem tido a sua história contada, são peças chaves para o desenrolar da trama. E é justamente nesse ponto que quero dar um conselho: apesar desses livros sobre os irmãos serem relativamente independentes e fazerem total sentido mesmo para quem não leu Belo Desastre ou Desastre Iminente, não o leia sem antes terem lido algum desses dois, porque as histórias dos casais acontecem paralelamente. Diversos acontecimentos pelos quais Abby e Travis passaram também fazem parte da história de Trenton e Cami, e foi isso uma das coisas que mais me agradou.

O livro é envolvente do começo ao fim, a narrativa flui rapidamente e dá para ser feita num dia só. Como se não bastasse isso para eu já considerá-lo ótimo, o final me deixou de boca aberta. Uma revelação é feita e somente por conta dela todas as outras peças que estavam soltas se encaixam. Foi uma sacada genial da autora deixar, literalmente, a explicação para a última página. Quem gosta de dar aquela lida na última folha antes de começar a leitura, não faça isso dessa vez ou a narrativa perderá metade da graça. Não lembro de ter encontrado algum erro na revisão e a capa está linda. Novamente Jamie McGuire ganhou meu coração.

Beijos, gente! Até a próxima!

Resenha: As Vantagens de Ser Invisível



Livro: As Vantagens de Ser Invisível
Título Original: The Perks of Being a Wallflower
Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Páginas: 224 
Sinopse: Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se é real ou imaginário.

Em "As Vantagens de Ser Invisível" , Charlie narra seu ano de calouro na escola, em uma série de cartas enviadas para um destinatário anônimo. É claro desde o início que Charlie não é um adolescente comum e está assumindo mais encargos do que devem ser sobrepostos a um único garoto de 15 anos. Ele discute seu primeiro ano na escola, a braços com duas experiências traumáticas do seu passado: o suicídio de seu único amigo, Michael, um ano antes, e a morte de sua tia favorita, Helen, durante sua primeira infância.

"Então, esta é minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim."
O professor de Charlie, Bill, percebe sua paixão para a leitura e escrita e passa a agir como seu mentor, atribuindo-lhe livros extracurriculares e relatórios. Embora não sendo "popular", e a conselho de seu professor à ir a um jogo de futebol da escola, Charlie faz amizade com o irreverente Patrick: um veterano popular assumidamente gay e Samantha [ou Sam], sua meia-irmã. Com o passar do tempo, os três se tornam grandes amigos e Charlie passa a ser levado por um mundo completamente novo, regado à drogasfestasamor sexo. Apesar de ser bastante incomum, Charlie passa a acreditar em sua nova realidade.

"Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas. E essa era ótima."
Não sendo comum minha relação com livros escritos através de cartas, "As Vantagens de Ser Invisível" me surpreendeu nesse quesito. A leitura massante que presenciei no início do livro deu lugar a uma leitura simples irreverente ao longo da trama. Chbosky ousou em representar no livro temas considerados fortes e majestosamente elaborou um enredo tão complexo em uma narrativa concisa e despretensiosa.

O que mais gostei neste romance foram os pensamentos filosóficos de Charlie sobre a vida. Dentro de poucas páginas, Charlie lida com um vasto leque de questões, incluindo abuso sexual, violência doméstica, estupro e uso de drogas. Com a experiência além do que qualquer adolescente deve enfrentar, Charlie se volta para dentro e este distanciamento é o que torna sua voz muito mais jovem do que poderíamos esperar de um personagem de sua idade. Ao mesmo tempo, seus pensamentos reais parecem ser aqueles de alguém muito mais velho.

epílogo final foi arrebatador:  Percebemos no livro que o passado foi o maior inimigo de Charlie e descobrimos uma história polêmica triste que ele viveu ainda criança, sendo apontado como o estopim de toda uma empatia por sua juventude conturbada, levando-o a reprimir suas memórias traumáticas. Apesar de muitos não gostarem, o final do livro foi surpreendente.

"Já se sentiu muito mal, depois tudo passar e você não saber por quê? Eu tento me lembrar, quando me sinto ótimo como agora, que haverá outra semana terrível algum dia, então procuro guardar o maior número de detalhes que posso, e assim, na próxima semana terrível, vou poder lembrar esses detalhes e acreditar que vou me sentir bem novamente. Não funciona muito, mas acho muito importante tentar."
"As Vantagens de Ser Invisível" é uma leitura intrigante, e tem um culto seguinte incrível. Eu gosto de como Charlie gasta páginas descrevendo algo básico, e, em seguida, adiciona uma frase finalizando sua carta e descrevendo algo maior que o ocorrido; quase como se ele tivesse esquecido o que realmente aconteceu. Eu sinto que são as pequenas coisas como esta que realmente faz com que o romance se relacione com a vida real. A sinopse na capa descreve Charlie como "um invisível, preso entre tentar viver sua vida e tentar fugir dela", e acho que isso é retratado perfeitamente ao longo do romance. Este é um livro peculiar que confronta os problemas que a maioria dos adolescentes podem passar em seus anos de adolescência.

Pessoalmente, achei o livro sensacional. A diagramação estava perfeita e a capa, melhor ainda. Com certeza está super recomendado essa montanha russa de emoções pra vocês.
"Eu me sinto infinito"

Pegue seu Diário


Um cantinho que possamos desfrutar da privacidade dos nossos pensamentos certamente atrai muitos olhares. Mas que lugar é esse? Bom, é o "Diário". Percebemos em inúmeros filmes ou livros a presença sagaz de um "Diário", em que seu dono o guarda a sete chaves e esconde nele seus segredos e pensamentos. É hora de quebrarmos o tabu dos "Diários" e integralizá-los como meio reflexivo de ambos os gêneros. Porque, na verdade, esse caderninho cheio de segredos está na mão de mais pessoas do que imaginamos. Por isso, essa postagem especial traz alguns livros que focam exatamente nesse tema. Quer seja passageiro ou personagem principal, os diários são objetos marcantes presentes nos livros. Vamos ver?

Destrua esse Diário
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A função de um "Diário" é anotar ideias e pesamentos cotidianos na vida de uma pessoa. A autora do livro, Keri Smith propõe um livro interativo, que consiste em estimular a criatividade e imaginação de uma forma bem ousada. Somos propostos no livro que façamos sua destruição literalmente, das maneiras mais bizarras possíveis. Em cada página iremos encontrar inúmeros desafios que podem ser cumpridos da maneira que quiserem e sem uma ordem pré-determinada. Algumas tarefas do livro pedem para que o levemos para o chuveiro, ou passar terra e colar insetos mortos. A criatividade da autora nos leva a realizar atos pouco comuns em relação à verdadeira utilidade de um diário. Parece ser muito divertido. 

1 Página de Cada Vez
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Com basicamente a mesma premissa de "Destrua esse Diário", em "1 Página de Cada Vez", o autor americano Adam J. Kurtz usa provocações divertidas para fazer o leitor refletir sobre a vida ao mesmo tempo em que testa a própria criatividade. Como o título diz, cada página traz uma brincadeira diferente. Pode ser uma pergunta, uma sugestão de desenho ou um pedido para que você crie uma lista de músicas para seu amor verdadeiro ou das melhores fatias de pizza que comeu na vida. O autor também pede para o leitor colar objetos inusitados nas páginas do livro e compartilhar nas redes sociais algumas das anotações feitas nele. Uma maneira espirituosa e lúdica de buscar o autoconhecimento.

O Diário de Anne Frank

Anne Frank, com seu diário, fez-se famosa ao torná-lo com um dos relatos mais impressionantes das atrocidades e horrores cometidos contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial. De acordo com descrições, o livro "assinala passagens de uma vida insólita, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a nobreza fora do comum de um espírito amadurecido no sofrimento." "'O Diário de Anne Frank' é um retrato da menina por trás do mito. Um livro que aprofunda e aumenta nossa compreensão da vida e da personalidade de um dos fortes símbolos da luta contra a opressão e a injustiça. Uma obra que deve ser lida por todos, para evitar que barbaridades dessa natureza voltem a acontecer neste mundo." Esse certamente será um dos diários mais fortes e emocionantes que você irá ler.

O Diário de um Banana

Outra série de livros que evocam os diários. "O Diário de um Banana" mostra a vida de Greg, um garoto que tenta "sobreviver" em uma escola cheia de nerds valentões e, em meio a tudo isso, tenta ser popular. Escrever o diário foi ideia de sua mãe, mas Greg prefere o chamar de "Livro de Memórias". A obra possui capa dura, páginas amareladas, letras em caligrafia e intercala ilustrações ao longo dos textos, imitando assim um diário.

Acompanhar a escrita de um diário é muito interessante. Saber sem rodeios o que é escrito é o que torna especial esse modo de leitura. Quando era mais novo já pensei seriamente em ter um diário [principalmente quando via na TV o "Diário do Júlio", no Cocoricó ~ não me julguem]. E vocês, o que acham de um?

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