Resenha: A Árvore das Lágrimas

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Livro: A Árvore das Lágrimas
Autora: Naseem Rakha
Páginas: 352
Editora: Suma de Letras
Edição: 1ª

Sinopse: Irene e Nate Stanley viviam bem com os filhos Bliss e Shep na fazenda da família até Nate anunciar que recebeu uma proposta de trabalho irrecusável em outro estado. Irene reage mal à notícia. Quando a família começa a se ambientar ao novo lar, Shep, aos 15 anos, é morto a tiros num aparente assalto à casa da família. Muito tempo depois, Irene ainda não conseguiu superar a perda do filho. Seus anos seguintes resumem-se na ansiosa espera pela execução de Daniel. A angústia e o desespero que sente são tamanhos que Irene cogita buscar contato com o assassino, trocar cartas com ele e tentar entender seus motivos. Tentar perdoá-lo e, assim, quem sabe colocar um ponto final em toda a dor. 


A Árvore das Lágrimas é aquele tipo de livro que apenas pela sinopse nos consegue passar o quão cativante é a sua história.  A cada página, você é levado a conhecer um mundo de angústia, depressão, respeito e perdão. Por isso, vemo-nos interligados com a história da família Stanley, marcada por um abalo familiar que desmorona os sentimentos mais profundos, desenrolando partes bem importantes dessa história.

Irene Stanley vivia com a família numa casa conservadora, em um pedaço de terra fértil circundado pelo Mississipi. Ela crescera naquele mesmo lugar onde viveu sua vida toda e, a notícia de uma proposta de emprego pelo marido, Nathan Stanley, como conseqüência direta para a mudança rumo a um novo estado, a deixou estritamente pessimista em relação ao futuro da família.  Mas, mesmo assim, diante da convicção otimista do marido ao descrever que a nova cidade é “pequena e ajeitada”, Irene, mesmo a contragosto, se muda ao lado de seus filhos Bliss e Shep.

Algum tempo mais tarde, quando a estabilidade parecia ter tomado conta da família Stanley, Shep, o filho mais velho é morto em um aparente assalto a mão armada levando Irene à depressão.  Sem condição de cuidar de Bliss, pelo menos naquele momento, a menina é levada para morar com os tios, em sua cidade natal. Desde a morte de Shep, Irene se arrastava da cadeira da sala de estar até o quarto do filho, e se permitia tocar em uma coisa que o fizesse ser lembrado, já Nate, era obrigado a carregar um peso nas costas no qual o fez perder várias noites de sono.

“Há certas coisas que uma pessoa não deveria ver na vida. Uma árvore chorando ao lado da sepultura do seu filho era uma delas. Aquela era uma delas.” – pág.45

Em minha opinião, a autora soube desenvolver muito bem a situação central do livro.  Baseado em uma história real, A Árvore das Lágrimas nos consegue passar a verdadeira aflição de uma mãe depressiva que lutava para superar a morte do filho. Além disso, a narrativa do livro é composta em períodos, intercalando a data do assassinato, em 1985, e os dias antecedentes à pena de morte proferida ao assassino Daniel Robin, em 2004.

Ao aniversário de 27 anos de Shep, Irene mesmo relutando em aceitar a verdade, acaba cedendo. Não consegue mais suportar a depreciação em razão da morte do filho. Com a filha já na faculdade e um Nate que não se preocupa mais com nada, Irene cogitou em tirar a própria vida, ou até mesmo reganhá-la através do perdão.

Conforme os anos foram passando, a raiva que mantinha seu coração batendo, arrefeceu e deu lugar a uma pulsação lenta e frouxa, e o máximo de força que ela conseguia sentir agora era uma espécie de dolorosa avidez. A morte de Robin. A morte dela. Não importava mais.” – pág.121

A partir disso, Irene começa a trocar cartas com Daniel, por intermédio da prisão e escondida da família. Ao encaminhar o seu sincero sentimento em admitir que o perdoa, por entender que ele apenas cometeu um erro,  Daniel logo de cara, responde que não queria receber notícias de Irene, e contesta o seu perdão levado pela incredulidade de uma mãe perdoar o assassino do filho. As cartas acabam sendo o único meio de comunicação de uma mãe aflita e um condenado à beira da morte.

Conhecemos também no livro, o superintendente da Penitenciária de Oregon, Tab Mason, que era o responsável por transcrever as cartas (como uma medida de segurança) antes de repassá-las para Daniel. Com os desdobramentos da situação, e longe dos esclarecimentos da morte de Shep, percebemos o quão fundo vai uma mãe desesperada em busca da verdade sobre a morte do filho.

A história é repleta de idas e vindas, e nos faz perceber sinceramente que o perdão é a chave para a liberdade. Eu recomendo a leitura do livro, principalmente por se tratar de um livro que aproxima nossas emoções, afinal, tudo aquilo em que acreditamos nos fará dispostos a abraçar a tolerância, o respeito, e o profundo amor de uma mãe em busca da liberdade e do perdão.

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