Resenha: O Chamado do Cuco

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Livro: O Chamado do Cuco
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Páginas: 447
Edição: 1ª


Sinopse: Quando uma modelo problemática morre numa queda de uma sacada da Mayfair coberta de neve, supõe-se que ela tenha cometido suicídio. O irmão, porém, tem suas dúvidas e pede ao detetive Cormoran Strike para rever o caso. Strike é veterano de guerra - ferido física e psicologicamente - e sua vida é uma confusão. A investigação lhe dá um salva-vidas financeiro, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no complexo mundo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas – e mais perto ele chega de um perigo terrível. Um mistério elegante e emocionante impregnado da atmosfera de Londres – das ruas silenciosas de Mayfair aos pubs entocados do East End e à agitação do Soho – O chamado do Cuco é um livro extraordinário. Apresentando Cormoran Strike, este é o primeiro romance policial de J.K. Rowling, escrito sob o pseudônimo de Robert Galbraith. 


Livros com enredos policiais sempre me chamaram atenção.  Tramas que focam nesse tema são capazes de prender e envolver o leitor nas entrelinhas de sua fascinante história. Em “O Chamado do Cuco”, best-seller de Robert Galbraith (J.K Rowling), somos transportados ao mundo (como já mencionado) dos belos milionários, namorados rockstars e designers desesperados. A visão e a perspectiva do autor em abordar uma temática tão detalhada, além de evocar Londres em sua pompa deliciosa, traduzem os densos sentimentos que sentimos à cada virada de página e nos faz pensar: Se a autora foi sublime em escrever séries místicas, o que esperar de um romance policial? A leitura responde tal questionamento com uma trama cheia de surpresas e reviravoltas de um veterano de guerra, sua habilidosa assistente e uma morte mal-resolvida.

O livro tem início com o suposto suicídio [onde supostamente se jogou do seu apartamento] da supermodelo britânica Lula Landry. Com seu estilo de vida conturbado e um gênio problemático, o fatídico dia de sua morte foi caracterizado como uma conseqüência drástica de uma vida desconcertante. Mas porque uma modelo admirada por todos e bem resolvida financeiramente comete suicídio no ápice de sua carreira?

“A autópsia indicava que Lula morrera no impacto com a rua e que fora vítima de fratura no pescoço e hemorragia interna. Havia certa quantidade de hematomas em seus braços.” – pág.169

John Bristow, irmão adotivo de Lula, convicto de que a morte da irmã foi um atentado criminoso, recorre ao detetive e veterano de guerra Cormoran Strike – uma vez que o detetive fora amigo de infância de Charlie, seu falecido irmão –.  A princípio, Strike reluta em aceitar o cargo, mas as dificuldades financeiras por que passa somada aos seus problemas pessoais o faz pensar melhor, além disso, para Bristow, as investigações por parte da polícia londrina não satisfez as reais evidências da morte de Lula e a resolução de um caso famoso, para Strike, seria de grande ajuda no momento. A partir daí, Strike se encarrega de investigar o que há por trás da morte da modelo com a ajuda de Robin, sua assistente – até então temporária. Robin passara a trabalhar para Strike por um erro da parte dele, que pensava ter cancelado o contrato com a agência de temporários, como um corte nas despesas.

“[...] Mas a polícia e o legista não deixaram de lado a garota que tinha histórico de doença mental. Insistiram que ela era deprimida, mas eu mesmo posso atestar que Lula não estava deprimida” – John Bristow, pág.34

No desenrolar da investigação, nos é mostrado detalhadamente como fora os últimos dias de Lula e as indagações começam a surgir, a partir do momento em que uma lista de suspeitos invade nossa cabeça e nos faz pensar quem realmente estaria por trás da morte da modelo. Outra coisa que chama a atenção são os diálogos construídos pelo autor para dar vida a seus personagens. Cada um é apresentado de uma forma estranhamente peculiar, mantendo suas singularidades ao destacar as origens, a condição social e outros fatores característicos. A cautelosa descrição do autor também é outro ponto forte na narrativa. Robert descreve alguns ambientes que servem como plano de fundo da história, como pubs e boates londrinas.

“Com as anotações completas, ele [Strike] achou que merecia uma xícara de chá e um rolinho de bacon como despesa de representação, e desfrutou dos dois numa pequena cafeteria enquanto lia um exemplar abandonado do Daily Mail.” – pág. 132

O livro ainda preserva assuntos que tornam a narrativa ainda mais envolvente. No livro, percebemos incontestavelmente a influência que os tablóides britânicos exercem sobre a mídia. Além de mostrar astros do cinema e moda relacionados com as drogas, o autor vai definindo os perfis psicológicos de cada personagem da obra.

Ao longo da narrativa vamos acompanhando um processo investigativo instigante – nossa sensação é de acompanhar um filme –. O mistério central sobre a morte de Lula é revelado em pequenos passos, sem que o leitor seja pego de "supetão". Em "O Chamado do Cuco", as peças do “quebra-cabeça” vão se encaixando uma de cada vez, tecendo um emaranhado de pensamentos sobre as causas e a morte da modelo.

Além disso, a revisão e diagramação do livro são maravilhosas. O trabalho da editora traduz exatamente a sensação de leitura, além de nos proporcionar um paraíso visual com a belíssima capa – nos padrões originais. Por isso, recomendo a leitura de O Chamado do Cuco a todos que gostam de um romance policial.  Nossa paixão pelo perspicaz detetive se estende até o então segundo volume da série: O Bicho-da-Seda. Galbraith ainda fará inúmeros corações palpitarem de emoções.


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