Entrevista com a autora: Silvânia Dias

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Toda vez que lemos algum título e definitivamente nos identificamos, a primeira coisa que pensamos é extrair o máximo de informações do livro através do autor [basicamente foi o que fez Hazel em relação à Peter Van Houten em "A Culpa é das Estrelas"]. 

E depois que li "Filhos da Senzala" não me contive e entrei em contato com Silvânia Dias, autora dessa belíssima obra. Eu precisava saber ainda mais sobre a trama, sobre os personagens e a concepção do livro. Depois de calorosas trocas de emails, descobri um pouco mais sobre a autora e sua motivação para escrever essa fascinante história. Além dessa fabulosa recepção, Silvânia ainda nos concedeu uma entrevista esclarecedora sobre a obra e seu lado como escritora. Detalhe: Tem surpresa no final. 

Antes da entrevista, acompanhem um trecho da resenha do livro, publicado pelo blog.


"Os prazeres de um romance histórico podem despertar inúmeras sensações para quem lê. Adquirimos uma riqueza em sabedoria ao explorar um mundo que nossa história viveu no passado e, através das mesmas, somos tomados por reflexões voltadas ao período de escravidão, onde Senhores de Engenho eram capazes de tudo para suprir suas ganâncias em relação às terras e ao cobiçado dinheiro. A iniciativa da autora em abordar um tema tão delicado, porém pouco difundido, foi extremamente importante para os leitores de Filhos da Senzala que, como eu, também se emocionaram e viveram intensamente a história de amor entre um homem branco livre e uma parda escrava."


1.O que a Escravidão representava pra a sociedade daquela época? Por que a Escravidão é cenário de uma história sua?
Ser proprietário de escravos representava poder, riqueza e status. O escravo era um bem valioso, uma propriedade passível de venda, empréstimo, aluguel, doação... O senhor podia dispor desse patrimônio do modo que bem entendesse. O escravo era uma posse legal, completamente destituído de direitos civis, mas, mesmo assim, existia espaço para resistência cotidiana, e alguns pequenos “privilégios” podiam ser alcançados a partir de certas situações. É necessário salientar, porém, que isso não diminuiu, de modo algum, a brutalidade do sistema em que essas pessoas foram submetidas. O período escravista é cenário do livro, porque sou pesquisadora desse tema, e esse passado turbulento e forte da história brasileira deixou marcas indeléveis na nossa cultura. 

2.Os protagonistas escravos, bem como os personagens recorrentes ligados a essa premissa são referências do livro. Por quê? 
A primeira vez que tive contato com documentos que tratavam da liberdade de escravos através da justiça, fiquei fascinada! Era aluna iniciante do curso de graduação em Historia e não imaginava que era possível que escravo pudesse enfrentar seu senhor e requerer a liberdade por meios judiciais. Foi a partir desse momento que o tema escravidão entrou na minha vida. Em 2007 iniciei o Mestrado na Universidade Federal de Ouro Preto, e minha pesquisa foi exatamente sobre os escravos que requeriam a liberdade por meio dos Tribunais. A escravidão foi uma história de luta. Uma luta muito desigual é claro, mas nem sempre, silenciada ou vencida, e é isso que tento mostrar no livro. 

3.Como você concebeu este livro? 
O livro foi um projeto concebido a partir da minha imensa vontade de que as pessoas pudessem conhecer a comovente história de amor, que levou um homem a vender sua própria liberdade, para casar-se com a mulher amada. 

4.Como é sua rotina para escrever? Você possui alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?
Tenho disciplina, mas não tenho um horário especifico. Tenho que dividir meu tempo com outros compromissos, e assim, acabo escrevendo quando vai surgindo oportunidade, infelizmente... 

5. A história do livro é baseada em uma história real. Mas para você Silvânia, enquanto autora, as histórias “se escrevem” sozinhas ou as tramas são desenvolvidas por inteiro, seguindo depois um esquema previamente traçado?
Costumo fazer uma lista dos personagens, e vou desenvolvendo a história e o perfil de cada um, a medida que vou escrevendo. O texto vai fluindo sem uma montagem previa, e depois de finalizado é que faço o trabalho de ajuste. Para mim essa é a fase mais penosa. Ajustar todas as conexões entre os personagens e a trama, cortar ou reorganizar paginas inteiras, e em muitos casos, reescrever novamente certas cenas. Para os que organizam um esquema a priori, a fase de ajuste do texto certamente será menos árdua, mas no meu caso não tem jeito! Só consigo pensar na trama quando sento para escrever. 

6.Como a literatura entrou em sua vida?
Minha “aventura” nessa área surgiu após “descobrir” um fragmento da trajetória de vida de Francisco e Eugênia durante minhas pesquisas acadêmicas. Eles se casaram no ano de 1821, e o amor que os uniu, também os conduziu rumo a um destino perverso e amargo. Movida pela vontade de contar a historia deles, escrevi Filhos da Senzala. Esse livro é apenas uma singela homenagem póstuma aos dois...

Depois de acompanhar a entrevista, o gostinho para ler o livro aumenta ainda mais, certo? Além de receber os emails do blog com um carinho imenso, Silvânia ainda nos proporcionou uma cortesia do livro "Filhos da Senzala" para ser sorteado aos leitores do Blog. Você está ansioso para ganhar o livro com uma dedicatória super legal? Não perca tempo, participe abaixo, através do Rafflecopter até o dia 01 de Março. Você não vai querer ficar de fora!



a Rafflecopter giveaway Eu, Rodolfo, e em nome do blog, gostaria de agradecer profundamente a atenção que nos foi dada. Silvânia realmente foi admirável no modo como nos tratou  [eu e o blog] desde o início, e sua recepção para conosco foi formidável. Além de ter escrito um livro de grande potencial, ainda consegue manter um contato super amigável com os leitores.

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