Resenha: Todo Dia

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Livro: Todo Dia
Autor: David Levithan
Páginas: 280
Editora: Galera Record
Edição: 1ª

Sinopse: Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.


O fantástico livro “Todo Dia” celebra toda vida nova que, nesse contexto, surge todos os dias para o misterioso “A”.  Como você se sentiria se a cada dia você acordasse em um corpo estranho, independendo de sexo, raça ou crença? Para “A” é uma condição nem um pouco fácil.  Sua trajetória é contada de uma forma abrangente e dinâmica, deixando de lado a monotonia que, para nossa infelicidade, ainda existe em alguns livros.

“O passado não me ofusca, nem o futuro me motiva. Concentro-me no presente, porque é nele que estou destinado a viver.” – pág. 12

O personagem vivencia um mundo diferente, onde é construída ao longo das páginas a personalidade de alguém que, mesmo sendo o hospedeiro aleatório de pessoas, ainda presencia a realidade nas circunstâncias em que vive. No entanto, essa fresta de estabilidade acaba, a partir do momento em que “A” acorda no corpo do mal-humorado e despercebido Justin. A reviravolta em seus sentimentos se concretiza quando o “hospedado” conhece Rhiannon, namorada de Justin.  A paixão é instantânea. 

“Enquanto cochilamos, sinto uma coisa que nunca senti. Uma proximidade que não é apenas física. Uma conexão que desafia o fato de que acabamos de nos conhecer. Um sentimento que só pode vir da mais eufórica das sensações: a de pertencer a alguém.” - pág 25

Em contrapartida com sua filosofia – em nunca criar afeição por ninguém e evitar estragos na vida do hospedeiro. – “A” percebe que seus sentimentos por Rhiannon estão incontroláveis.  Ele quer ter o prazer de proporcionar para a garota seus melhores dias, nem que isso custe deixar de lado sua filosofia de vida. Nos dias seguintes, surpreso por não conseguir esquecê-la, “A” parte para a tarefa de encontrá-la dia após dia, seja em qual corpo estiver. O amor que sente por ela é maior do que sua metodologia, e é uma força extra para a quebra de obstáculos que possam intervir em seu caminho. Mas uma questão é aberta: Será que Rhiannon conseguirá aceitar “A” com o seu atributo incomum? E as interferências de “A” na vida das pessoas em que se hospeda terão consequências?  São esses os percussores da premissa central do livro.

“ Queria que o amor conquistasse tudo. Mas o amor não conquista tudo. Ele não pode fazer nada sozinho. Ele depende de nós para conquistar em seu nome.” – pág 242 

A imagem que temos do livro - através da capa e sinopse – é que a obra é um tanto desleixada, mas com a leitura, percebemos as reflexões e mensagens subliminares que a “A” consegue nos passar com a sua proeza e suas atitudes.  O autor deixa bem claro que a nossa personalidade é adquirida através da nossa vivência, dos lugares que frequentamos e dos nossos atos.

Por “A” viver todos os dias em  um corpo diferente, sua percepção é aguçada justamente por presenciar (e vivenciar) cada pessoa e cada índole.  São essas visões interpretações que fazem o livro ser fantástico (mas não pensem que  a história só nos passa lições de moral).  As reflexões são transmitidas através da leitura contínua e certeira.  Além de todas as mensagens e reflexões apresentadas no livro, o que nos mantêm presos à escrita de David Levithan é o amor que “A” nutre por Rihannon e as consequências de tal sentimento.

Um dos – poucos – pontos negativos do livro é o vácuo na explicação do que realmente seria “A”.  Em um determinado momento, o autor ameaçou anunciar o que de fato seria “A”, mas a explicação é deixada de lado. Isso me desapontou um pouco, mas não a ponto de interferir na leitura. Contudo, a narrativa envolvente e a história vivida por “A” foram o suficiente para eu me aprofundar nas reflexões da obra e me identificar com o personagem. A leitura de “Todo Dia” conseguiu me surpreender em diversos aspectos e o livro tornou um dos meus favoritos.  

“Se você olhar para o centro do universo, existe frieza lá. Um vazio. No final das contas, o universo não se importa conosco. O tempo não se importa conosco. É por este motivo que temos que cuidar um do outro.” – pág. 275

A obra está mais que recomendada.

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