Resenha: Arthannya

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Livro: Arthannya
Autora: Vera Lúcia Cervi Mattei
Editora: Dracaena
Páginas: 490

Sinopse: Lúcia sentiu algo mudar quando o viu pela primeira vez, despertando em si sentimentos fortes e verdadeiros. E sempre quando encontram aqueles olhos cinza, ela sente sendo sugada a dois grandes abismos, como se ele enxergasse muito além do que é permitido, do que é aceitável. Quem é ele? E de onde veio? Toran leva uma vida cheia de compromissos e responsabilidades. Mas assim que a vê, ela passa a ser sua prioridade. Ele tem uma missão a cumprir. Ele sabe o que quer e o que veio buscar. Toran não recua. Ele avança sem pedir licença. E Lúcia? Será que deve largar tudo para embarcar nessa viagem e mergulhar de cabeça nessa imensidão de sensações? E o que é pior? Estará disposta a enfrentar um bombardeio em terras desconhecidas? Sabendo que, no meio desse fogo cruzado, ela precisará se resguardar, se impor e, principalmente, sobreviver?


As descobertas de um novo mundo nos desperta inúmeras sensações. Refletirmos sobre um universo alternativo, muitas das vezes representado nos livros, pode ser a causa imediata que nos faz promover em nossas mentes certas reações, quando a questão é imaginarmos nossa vivência em outro lugar. Basicamente, é o que sentimos ao ler "Arthannya", da autora nacional Vera Lucia Cervi Mattei.  Como os recentes livros que li, "Arthannya" me surpreendeu positivamente. A sagacidade da autora em tecer um universo distópico com inteligência e destreza foi um ponto que, definitivamente, favoreceu o desenrolar de uma trama regada a romance e mistério.

No livro, somos apresentados à Lúcia, uma mulher independente e inteligente que, quando bebê, fora abandonada na porta da casa de uma humilde senhora, no interior de São Paulo. Lúcia, apesar de madura, prefere deixar o passado inerte e evita ao máximo tocar em assuntos que se refira à ele, como modo de evadir-se de indagações, muitas das vezes causadas por dúvidas quanto a sua família biológica e o porque de seu desprezo. Ainda criança, ela é adotada por Dona Alzira, a cozinheira do orfanato onde morava. Atualmente, Lúcia é uma mulher muito bem-sucedida no ramo de engenharia e conquistou sua independência com base em seu esforço e inteligência.

"Eu preciso parar de pensar esse monte de besteiras que, como sempre, não vão me levar a lugar algum, e dormir, já que amanhã terei outro dia bem cheio pela frente" - pensou, ao esfregar seus olhos cansados."
Ao mesmo tempo, conhecemos Toran, um homem cheio de atributos e qualificações que trabalha no N.A.P.E. (Núcleo Avançado de Pesquisas e Estudos), uma espécie de organização residida em Minas Gerais que é responsável pela realização de diversas pesquisas envolvendo a vida na Terra. Toran é do tipo de homem reservado, que não expõe sua intimidade para qualquer um, e, especialmente de algum tempo pra cá, vem sentindo um incontrolável desejo em relação a uma mulher que está, as escuras, estudando e observando. Trata-se de Lúcia. Mas afinal, porque Toran passou mais de dois anos espionando de longe tudo sobre a vida da mulher? 

Com uma entrada sutil na vida de Lúcia, através de um jantar natalino com a família dela - e sob o nome de Henrique - Toran passa a ganhar notoriedade e ser desejado, mesmo com relutância, por Lúcia, e depois de indas e vindas dignas de um belo romance, o rapaz revela o verdadeiro motivo de sua aparição: Toran veio de outro planeta, o Arthannya e, sua vida se cruzou com a de Lúcia através do avô materno dela - até então desconhecido pela mesma - , Hazec, um homem influente e importante. No livro, nos é explicado com uma riqueza de detalhes todos os primórdios da vida de Lúcia, bem com sua concepção e os motivos de seu abandono. Inicialmente, foi um baque para Lúcia saber de tudo isso, mas aos poucos sua mente se abriu para receber as informações e é a partir daí que o livro começa a ficar [mais] interessante.

"É nesses momentos da vida que segundos viram minutos e horas se tornam dias ou anos. Qualquer que seja o sentimento ou a emoção que queremos descrever em poucas palavras, corremos o risco de sermos vagos e pouco fidedignos. A sensação é de que o eixo da Terra se deslocou, mas na verdade foi o seu próprio eixo que saiu do lugar. Você sabe que algo ficou diferente, mas não dá para explicar como, porque, quando e onde. Fogo e gelo passam rapidamente por suas veias ao mesmo tempo em que terremotos e redemoinhos se manifestam em seu íntimo "
As quase 500 páginas são passadas de maneira gostosa e despretensiosa. Nosso ritmo de leitura tende a aumentar a partir do momento que os fatos principais emergem e não sossegamos até descobrirmos todos os segredos e desvendarmos os mistérios apresentados. O mundo retratado pela autora foi muito bem formado, nos dando assim uma passagem de pensamento maior quanto sua essência, fazendo disso um ponto a favor para a obra. 

Toran é um homem misterioso e esconde muitos segredos, e a  maneira como eles são colocados no livros nos dá o poder de descobrirmos [e nos surpreendermos] junto com Lúcia. Mas o que não é de se negar é que eles possuem uma ligação admirável, e todos os desafios que encontram para ficarem juntos só aumentam esse laço. Juntos, Toran e Lúcia precisam enfrentar atritos entre os mundos, bem como desvendar mistérios que envolvam dois planetas super distintos, além de sobrelevarem a ganância e a emulação dos outros personagens.

"Mesmo com os olhos fechados não parou de visualizar a cena que vivenciou há pouco. Assim que escancarou a porta, sentiu toda a energia dela. Medo, pavor e desespero vieram até ele como uma rajada de vento. Por mais controle que possuía, não tinha como ir contra todos aqueles sentimentos. Raiva, vingança e ódio afloraram em seu peito, fazendo com que reagisse daquela maneira”
"Arthannya" é um livro grandioso e imponente sobre fantasia e romance. A autora usou uma riqueza de palavras e soube dosar muito bem os acontecimentos do livro sem que se tornasse cansativo. Nossa leitura é realizada sem interrupções de sentido e é feita de uma maneira totalmente contínua, gostosa, e só descansamos depois de folhear a última página que, para nossa alegria [e a meu ver] abre uma brecha para continuação. Definitivamente o livro está recomendado. 


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